sábado, 26 de maio de 2012

Não! (Texto: Ricardo Onofrio - Foto: Juliana Wolkmer)


Foi a primeira palavra dita por ele, um som angustiado, desabafo de algo reprimido, esmagado.

Os que o rodeavam, antes admirados, agora estavam atônitos. Não esperavam por aquilo e não entenderam sua frustração ao ouvir o que não queriam.

Nunca mais emitiu outro som.

Com o passar do tempo, poucos ficaram ao seu lado.

Aquela primeira palavra determinou tudo o que veio depois.

A passividade na forma do exagero, a ausência controlada, a indignação sem precedentes.

Escolheu viver isolado, tinha ojeriza ao contato, seu mundo começava e terminava em si mesmo.

Nunca mais emitiu outro som.

Satisfeito ou não, assim viveu, ano após ano, vagando, vegetando.Sem fazer diferença, sem buscar prazer, sem riscos, erros ou acertos.

Ao fim da vida, os poucos que de longe presenciaram sua passagem pelos anos já não esperavam uma mudança.

Na hora da morte, ele disse SIM!

Sorriu, fechou os olhos e foi.

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